Um apartamento, um carro importado ou uma reserva particular de Mata Atlântica? Se você é do grupo que escolheria a floresta como melhor opção pra aplicar as economias, poupadas ao longo dos anos, precisa conhecer a história da Vania Caus e do Jovane Carvalho, que adquiriram 60 hectares de floresta na região de Matilde, sul do Espírito Santo, e criaram a primeira Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) criada com outorga do Governo do Estado (até abril de 2006, as RPPNs precisavam ser criadas com autorização do Governo Federal, em Brasília, o que atrasava muito os processos e desanimava muita gente).
A RPPN Oiutrem é vizinha da Cachoeira de Matilde, a maior em queda livre do Estado e um dos cenários naturais mais bonitos entre os roteiros turísticos capixabas, que recebe por ano cerca de 1,5 mil visitantes. O ecoturismo é uma das atividades trabalhadas pela Oiutrem, como forma de dar sustentação econômica à conservação da natureza e ao desenvolvimento sustentável da região.
Outro foco importante de trabalho é a difusão da agricultura orgânica, tema de interesse dos agricultores locais, que são maioria no conselho do Oiutrem Instituto Ambiental (OIA), organização não governamental responsável pela gestão da reserva.
A Oiutrem também desenvolve pesquisas científicas. Atualmente o é com a abelha uruçú preta, ou Melipona capixaba uma espécie nativa e sem ferrão, ameaçada de extinção, responsável por boa parte da polinização da flora da Mata Atlântica. Estudos indicam que 60% a 90% da polinização na Mata Atlântica é feita pelas abelhas nativas sem ferrão como a Melipona capixaba.
A pesquisa tem sido feita com recursos próprios dos proprietários da Reserva, o Jovane e Vania, e com apoio de voluntários, como o estudante de Ciências Biológicas Rafael Boldrini, que tem pesquisado sobre manejo e educação ambiental com as abelhas nativas sem ferrão. Os agricultores locais também contribuem, como a família de Domingos Maroto, a primeira a doar enxames para a reserva. Domingos acredita que o instituto vai contribuir cada vez mais com a melhoria da qualidade de vida dos agricultores locais.
Um dos objetivos da pesquisa com a Melipona é evitar que as pessoas continuem cortando árvores pra ter as abelhas em casa. E como alternativa aos troncos, o projeto tem desenvolvido as chamadas caixas racionais. Em breve, espera-se poder vender o mel da Melipona, como mais uma fonte de recursos para a manutenção da Reserva.
Mais informações e agendamento de visitas
RPPN e Instituto Ambiental Oiutrem: 3324-1647 / 3269-4082 www.oiutrem.com.br
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