História contada por ele. Engraçadíssimo
V005 - [Pastor Ivan estava tomando café com a Luciana, sua então namorada -- atual esposa, quando chegou um serzinho, calçando sandálias havaianas...]
Tem até gente assinando o desenho do chinelo, lembram daquele que ninguém queria que era aquele verdinho no lado e branquinho... aquele lá, braço no dedão, camisa esperguiçada. tinha, passava 3 pescoços, naquela gola, uma touquinha bege na cabeça e o serzinho se aproximou, e falou assim: Ô tio, compra um joguinho de agulha, pra eu comprar leite pra minha irmãzinha.
Gente, eu morei em São Paulo, esse negócio de comprar leite pra irmãzinha... - a gente já conhece!
Aí a gente fica naquela angústia, entendeu, você fica: dá dinheiro, ou não dá dinheiro? Dá dinheiro, ou não dá dinheiro? As prefeituras fazem campanha: Não dê dinheiro nos sinaleiros, porquê não sei o quê...
Aí fica naquela luta... Eu já achei a minha solução. A minha solução é a seguinte: vez eu dou, vez eu não dou. Aí eu tô mais ou menos certo, entendeu? eu não sei se é pra dar, vez eu dou, vez eu não dou. Só sei que vai assim...
E o serzinho ficou ali, e tal...
Falei assim: Escute, é a única coisa que você tem pra vender? Você não tem arroz, um feijão, um iogurte, um munguzá... não? Alguma coisa, sei lá! um ioiô, né, uma bolinha de gude - uma coisa de alguma utilidade ?
Ela falou assim: Não. É pra comprar leite pra minha irmãzinha, e tal...
Eu falei: Quanto é?
Quando ela disse: "2,50", eu levantei a mão.
Assalto à mão armada - com agulha! 2,50, O que é que é isso? Ah, não 2,50...
- Não, é pra comprar leite pra minha irmãzinha.
Aí, veio aquele negócio, "compro ou não compro". As vezes a gente compra pra se livrar, né? É, ou não é? Não é assim?
Aí, quando fui pegar a carteira, cadê a carteira?[silêncio no auditório]
(Tava no bolso). Ahá! [peguei vocês] Peguei, a carteira. Quando eu fui pagar a agulha, o serzinho falou assim: Ô Tio, o tio não prefere comprar o leite?
Coloquei o dinheiro na hora na carteira. Claro que eu prefiro comprar o leite:
- Onde é que eu vou comprar o leite?
-Tem uma lojinha aqui na 24h tem. Ah legal!
Então falei assim: então tá bom. Saímos, lógico, paguei o refresco (quero deixar isso registrado!). Paguei o refresco e fui. E entrou... Quem conhece a rua 24 horas tinha umas (...) verdezinhas, com umas casas legais, enfim. Quando o serzinho entrou na loja você já imagina os vendedores, né, arregalaram o olho, entrei em seguida, falei: - Tudo bem, tá comigo - Aí é que eles ficaram preocupados! A gente foi atrás do que ela queria. Não tinha. Era um tal de NAN 1. Não sei se você já ouviu falar disso, eu nunca tinha ouvido, falar dessa beeenção... é o seguinte: o NAN 1 é um leite em pó para crianças de 0 a 6 meses. Não tem! Saímos dali.
- Procure em algum lugar, aí, e vá comprar.
- Mas o tio falou que ia comprar!
- Mas não tem!
Aí o serzinho disse:
- Mas nas Lojas Americanas tem!
As lojas americanas, 7 quadras, ali da rua 24h, aí eu falei: pá! Mas lembram que eu falei que tinha que impressionar, tinha que conquistar. Olhei para a Luciana ela já tava ali, ali no: "Compra, compra".
Aí eu falei: Tá bom, eu vou...
E foi me contando: O Serzinho era uma garota, 12 anos, chamada Tayane. A Tayane me contou a história -- a mãe dela tinha Aids, morreu no parto, e agora ela tava com a irmãzinha, tava se colocando como mãe. E ela tinha que conseguir o leite de sobrevivência da irmãzinha, por isso ela vendia agulhas. E a gente foi conversando.
E ela foi contando qual era a favela que ela morava, como que ela fazia, como que ela conseguia. Foi contando algumas coisas sobre o posto de saúde, e eu fui fazendo amizade com a Tayane
Quando chegamos às lojas americanas eu peguei aquela cestinha vermelha com a haste de metal, vc conhece. Subimos a escada rolante, e eis que eu tô atrás, né daqueles cartazes que põem no corredor pra gente se localizar dentro do supermercado. Tô caminhando, e de repente, daqui a pouco sinto um peso na cestinha
Tayane aí perguntou assim: "Ô tio leva um feijão pra mim?" É. Né, tio?
"Tá, vou levar"
Aí eu tow caminhando aí daqui a pouco, vem... [peso na cestinha]
Ela falou assim: "Ô tio, feijão sem arroz não dá, né?" "É verdade, é verdade".
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